sábado, 24 de janeiro de 2015

Sistemas de Educação e Formação

O mundo sofreu grandes mudanças no século XX, as tecnologias evoluíram, a indústria cresceu, as novas tecnologias permitiram ao homem comunicar com mais facilidade através de um computador e acesso a uma rede de internet ou telefone. O acesso à informação e ao conhecimento tornou-se universal e a forma como a Educação era abordada foi alterada para acompanhar estas mudanças. A Educação sofre uma democratização no séc. XX bem patente na premissa Educação para Todos. Contudo surge uma necessidade de ligar a Educação a outras vertentes: económica, política e social.
 
Desta forma era preciso que a Educação fosse um elo de ligação entre “a mão e a inteligência, o indivíduo e a sociedade, a aprendizagem cognitiva à aprendizagem não-cognitiva, o conhecimento velho ao novo, os processos de aprendizagem formais e não-formais” (Carneiro,2001:48). Surge desta visão o Aprender a ser, Aprender a conhecer, Aprender a fazer e Aprender a viver juntos. Duas grandes alterações verificadas no campo da Educação foram: O surgimento da Educação para Todos e Educação ao Longo da Vida. Na primeira opção a massificação da Educação surgiu de forma a fazer face ao crescimento económico e industrial patente no início do séc. XX. A segunda opção surge para dar ao indivíduo condições para um desenvolvimento sustentável pois com as constantes alterações da sociedade, da economia e a evolução política dos diversos países é necessário que o indivíduo tenha bases para responder ao progresso, um bom exemplo disso é o sistema de ensino e-Learning.
 
O Jornal Oficial das Comunidades Europeias e Estratégia de Lisboa Programa de Trabalho Educação e Formação elencam três objetivos estratégicos: Aumentar a qualidade e eficácia dos sistemas de educação e formação na EU. O Estado tem de proceder à elaboração de reformas nos sistemas de educação e formação, não se esquecendo dos trabalhos de investigação, aumentando a qualidade e eficácia dos sistemas de educação. Facilitar o acesso de todos aos sistemas de educação e formação. A integração, o acesso a todos, a todos os níveis dos sistemas de educação e formação em especial das pessoas mais desfavorecidas, ao ensino e a formação reduzindo às desigualdades. Abrir ao mundo exterior os sistemas de educação e de formação. No mundo globalizado em que vivemos com o fomento a todo o momento de intercâmbios, cooperação e a mobilidade entre os sistemas de educação e formação. O relatório de Estocolmo, Barcelona e Bruxelas (2001, 2002 e 2004) respetivamente incidem sobre educação e formação. Isso mostra a relevância que é dada a formação contínua dos professores num mundo de transformação e mudança.
 
A sociedade do conhecimento decorrente do desenvolvimento tecnológico cria novas demandas à sociedade (globalização) e a organização do(s) Sistema(s) Educativo(s) que, em decorrência da nova dinâmica sócio e econômica, tendem a aproximar-se de forma a criar uma plataforma transnacional educativa, garantindo o alcance dos objetivos a nível macro e a superação das dificuldades a nível meso e micro. Entretanto, apesar do programa estar muito bem edificado, concebido e ter metodologia e estratégia adequados a consecução dos objetivos, onde outros elementos que também se articulam e que não são postos em análise. Temos observado que o currículo, as diretrizes ou quaisquer outro documento de base é sempre um espaço de negociação e conflitos. Para além da diversidade sócio cultural, na composição do mosaico europeu, existe a liderança hegemônica na elaboração e condução do programa, que não pode ser posta de lado no momento em que refletimos sobre a construção da sociedade do conhecimento e da participação de cada Estado-Membro ou da eficácia de cada Sistema Educativo diante deste novo paradigma epistémico, que está assente numa perspetiva neoliberal.
 
Um dos aspetos do comprometimento das instituições, das escolas, das comunidades educativas e dos professores no alcance dos objetivos traçados e definidos para a educação da Europa, mas é importante perceber o(s) Sistema(s) Educativo(s) é uma parte de uma REDE mais ampla. O sistema económico (virtual e tecnológico) cria novas demandas educativas, novos mecanismos e processos para dar resposta a estas demandas, normalmente revestidos de elementos humanísticos, de um discurso para todos, a partir de um ritmo estabelecido por um grupo hegemônico, sendo assim a responsabilização do descompasso no alcance dos objetivos recai sempre sobre as instituições e indivíduos a nível micro, já que o Sistema e a Rede "criou todos os mecanismos".
 
 As estratégias de Lisboa na modernização dos Sistemas Educativos são: Aumentar a qualidade e eficácia dos sistemas de educação e formação na UE: melhorar a educação e formação dos professores e formadores; desenvolver as competências necessárias à sociedade do conhecimento; assegurar o acesso de todos às TIC; aumentar a participação nos estudos científicos e técnicos; otimizar a utilização dos recursos. Facilitar o acesso de todos os sistemas de educação e formação: desenvolver um ambiente aberto de aprendizagem; tornar a aprendizagem mais atrativa; apoiar a cidadania ativa, a igualdade de oportunidades e a coesão social.
 
 
Abrir ao mundo exterior os sistemas de educação e de formação deverá reforçar as ligações com o mundo do trabalho, a investigação e a sociedade; desenvolver o espírito empresarial; melhorar a aprendizagem de línguas estrangeiras; aumentar a mobilidade e os intercâmbios; reforçar a cooperação europeia. Sendo os professores e os formadores os principais intervenientes para estimular o desenvolvimento da sociedade e da economia, devem ter condições para que essa aprendizagem seja ao longo da vida, melhorando e acompanhando a sociedade de conhecimento. O nosso sistema de ensino não sofreu grandes alterações. No entanto, os resultados não corresponderão ao que se esperava, por razões várias, algumas delas relacionadas com a conjuntura mundial. Esse triângulo educação-investigação- inovação é fundamental para a evolução da nossa sociedade. No entanto, para se mudar o sistema educativo, a MEC descentraliza pouco as competências para as escolas. A autonomia das escola é quase uma utopia, pois tudo depende da aprovação superior, as escolas estão sujeitas a programas e cargas curriculares completamente desajustadas da realidade. Basta olharmos para os cursos técnicos/profissionais onde a carga horária teórica é muito elevada e a componente prática pouco significativa.

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